terça-feira, 29 de setembro de 2009

Por anda Gal Costa

Foto retirada do Terra Magazine
Marlon Marcos
De Salvador (BA)
Do ponto de vista social, há ausências que são imperdoáveis. A música brasileira sempre nos foi uma forma de alento, um transbordo de alegria, uma espécie de reunião, textuais e sonoras, nos ensinando a vida, a política; levando-nos a sonhar, a querer amar, a estar de pé e, sem medo, não desistir do que deve ser sempre feito.
A música brasileira é uma das formas mais agradáveis de se investigar nossa realidade social, especialmente a geração dos anos 60, com nomes como Edu Lobo, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, entre os cantores compositores; entre as cantoras, Maria Bethânia, Elis Regina, Nana Caymmi, Joyce e Gal Costa. Esta última faz em setembro, 64 anos e, sendo uma das maiores cantoras que o Brasil já gerou, estando viva e saudável, faz uma falta irreparável à boa audição.
Maria da Graça Costa Penna Burgos, nasceu em Salvador, e alcançou o mundo com sua voz doce de chamar o vento; levou a Bahia para o centro do Brasil e este para os cânones do canto feminino no mundo. Sua presença brejeira misturada a muitos desacertos estéticos fizeram dela a representação mais idílica que se tem da mulher baiana e melhor ainda, a fizeram acrescentar muita modernidade às feições da canção brasileira, que tem nela uma das suas mais legítimas reinventoras.
De fato, Gal Costa sumiu do disco. Lentamente saiu de cena, numa espécie de aposentadoria precoce; ela que ainda tem uma voz de brilhante e um domínio musical invejável e serve de modelo instrumentalizador para evolução de práticas na seara do nosso canto feminino. Gal está em muitas cantoras jovenzinhas que negam a força representacional da musa maior do tropicalismo. Falar mal de Gal, hoje em dia, é ser cult; esquecer seu legado é coadunar-se a uma prática horrível neste país: desrespeitar nossa memória.
Por anda Gal Costa? Sua voz está pregada aos tímpanos da audição de nossa memória. A sua existência artística confunde-se com o que somos enquanto povo criativo e musical. Mesmo tendo direito à aposentadoria, volta Gal, queremos te ouvir cantar. Como em Mãe, de Caetano Veloso.
Texto retirado da revista eletrônica Terra Magazine ( Portal Terra), em 29 de setembro de 2009.

Um comentário:

maria guimarães sampaio disse...

Parabéns por seu texto. Por onde andará?