segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Uma noite



Era o quarto vulgar e miserável,
escondido no andar de cima da taverna
suspeita. Da janela avistava-se o beco,
um beco imundo e estreito. Lá de baixo,
vinham as vozes de alguns operários
que jogavam às cartas, divertindo-se.
Ali, num leito reles, ordinário,
eu tive o corpo do amor, desfrutei-lhe dos lábios
rosados e sensuais toda a ebriez -
tal ebriez dos lábios róseos, que ainda agora,
ao escrever, tantos anos depois,
nesta casa vazia, eu de novo me embriago.
Konstantinos Kaváfis

2 comentários:

Edu O. disse...

as imagens e o texto dão um tesão e depois uma tristeza.

Carlos Barros disse...

Que vontade de estar neste lugar acima da taverna...
O outro personagem poderia vir de Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro ou Bahia...