
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Saluba

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Ao sol do Porto da Barra na Bahia

2011: Iemanjá Oxum Oyá em mim



terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Stella Maris, minha oração por seu canto
Hoje é um dia para alegria. Uma ventilação acima do verão saída de uma voz. Uma pergunta de resposta certeira para além do que se descreve. E o descrito é lindo, mas o sentido é impossível de se dizer... Hoje eu falaria com os duendes, clamaria as sílfides e nereidas, convocaria as bruxas do Leste, tocaria no rosto das Iaras em seus igarapés, enfrentaria Medusa, pediria às águias e aos golfinhos, consultaria os xamãs peruanos, meditaria em Buda e Krishna, rezaria a Nossa Senhora, cantaria para a Grande Mãe, visitaria Ísis, acionaria os elfos, incumbiria os querubins e arcanjos, tocaria a flauta de Pã, me comunicaria com extraterrestres, alcançaria o olho da serpente, voaria com Oyá-Iansã... Hoje é a minha voz em silêncio abaixo daquela voz cantando; hoje todos os encantados por perto a religar os sons secretos do mar aos ouvidos humanos. Hoje Oxum permite arte e desatina tesouros brotando do sonho maduro de uma mulher.
Eu voaria com as canções tentando alcançar as mãos de Deus... Debulhar-me-ia em mantras tornando-me Ganesha, ainda a preservar os mistérios. Roubaria o fogo de Prometeu, decifraria esfinges e intelectuais e, faria a síntese deste dia no marco da beleza se desfiando das águas saídas do canto da mulher.
Inteira oração na hora mais perigosa do dia: todos os encantados da Terra, do Mar, das Matas, do Fogo, do Ar, das Pedras, do Metal... Todos e Todas que podem gerar grandezas...
Entregar-me-ia em profunda oração. Com um balaio em tecidos verdes azulados, fitas e rosas brancas em abundância, arroz cozido, doces, perfume de alfazema, inteiro em roupas brancas, e ofertaria a, na manhãzinha de um dia qualquer nas águas marítimas da enchente, Iemanjá - Rainha das Águas que cobrem o mundo – para que Ela fizesse singrar pelo Brasil o canto magistral de sua filha sereia que anda sobre asfaltos, mas é a emissão dos mananciais aquáticos que refrescam a alma da gente e fazem a mente receber como gozo...
Pediria e peço: Oh! Mãezinha espraia o canto de sua filha, dai a ela 2011 acertos e nos permita sonhar, em festa e alegria, com os acordes que transbordam daquela garganta, outra morada da Senhora. Odô Iyá!
A Concha do TCA vai ferver em Janeiro

Dia 09 de janeiro de 2011 - a grande Mart'nália vai incendiar a Concha Acústica, show imperdível!
Dia 14 - A Sala Principal exibirá a musical universal, sofisticada, elegante de Bebel Gilberto ( às 21 horas).
Dia 23 - Lenine volta ao seu lugar, à Bahia, para cantar e encantar a todos na Concha Acústica. Projeto Petrobras e ingressos a 20/ 10. Imperdível.
Dia 09 - Lazzo ocupa a Sala Principal e nos alimenta com sua voz e música, a 1 real apenas. 11 horas da manhã.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Gabriela Mistral: informações

Com apenas 15 anos começou a dar aulas. Seu noivo cometeu suicídio em 1907, fato que marcou a obra e vida de Gabriela Mistral, nunca se casou e se dedicou somente ao trabalho. Venceu um concurso literário chileno em 1914 com Sonetos de la Muerte, assinados com o pseudônimo Gabriela Mistral, formado a partir do nome de dois poetas que admirava o italiano Gabriele D’Annunzio e o francês Frédéric Mistral.
Seu primeiro livro de poesias, Desolación (1922), inclui o poema Dolor, no qual fala da perda do amado. O sentimento de maternidade frustrada aparece nos trabalhos seguintes, Ternura (1924) e Tala (1938). Colaborou na reforma educacional do México e do Chile. Representou seu país como consulesa em Nápoles, Madri, Lisboa e Rio de Janeiro. Em 1954 publica Lagar.
Lecionou literatura espanhola na Universidade de Columbia. Morreu em Hempstead, no estado de Nova York."
Retirado do blog Poesia Latina
Violeta Arraes: universalidade nordestina



Ela morreu, na véspera do aniversário de Maria Bethânia, sua grande amiga, em 17 de junho de 2008. A Rosa de Paris, como ficou conhecida, é um patrimônio de humanidade para o Brasil. Sua história de vida se inscreve na história da luta e da resistência contra os demandos das dituduras instaladas na América Latina nos anos sessenta e setenta, principalmente, as militres no Brasil e no Chile. Uma nordestina universal, defensora das artes, do fomento cultural, da educação humanizadora, da luta por justiça social, da instauração da beleza na vida cotidiana do ser humano. Essa coisa dos Arraes fascina a todos nós que almejamos dias melhores para todos; de Miguel a Eduardo Campos, dá uma alegria de ser pernambucano; e Violeta quando é homenageada pelos Veloso, Caetano e Bethânia, sou mergulhado em orgulho e poesia. Um dia vi Violeta de perto, à beira mar do Rio Vemelho, em um Dois de Fevereiro, ao lado de Caetano Veloso e Paula Lavigne levando presente para minha Rainha Iemanjá... Uma tarde quente de muita comoção e além de agradecer a Iemanjá, agradeci, em silêncio, a Violeta Arraes.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Da vida que se quer
Levando-me a tempestades e realizações;
Quero critérios para descumpri-los
E fazer mistério quando revelações.
Quero o grito que deseduca
E me põe dentro do animal,
Quero faca, ferro, fogo, sal
Operando milagres na existência.
A sentença será a vida qualquer
Em desenhos curvilíneos,
Complexos,
Afeita a dor e prazer
Musical...
Vida transversal concreta
Arregimentando gentes...
Descrita em poemas maduros
Límpida em suas alegorias.
Maria Bethânia: "o futuro da beleza"
É belo aos olhos - e basta.
Mas quem é bom
É subitamente belo."
"Arrisquemo-nos a tudo...
Contra uma angústia sofrida
Tudo se deve tentar"
Safo de Lesbos
Será para além daqui...
O culto artístico em feição de crença.
A presença em cena da mulher trapezista
Irmã audaz da poeta e do palhaço...
A face que se nos assusta e os olhos
Que ferem como as garras da águia...
Doce ausência morena da terra
Em que eu nasci...
Agreste presença em cima dos palcos,
Dominando riscos, dasaguando arte...
Serana força humana em árvores
Bichos, pedras, terra, vento, palavras...
Musa meio brisa inteira tempestade
Que do centro vasto da garganta
Crava beleza em quem a ouve.
"na hora perigosa da tarde"

Neste instante de agoras perplexos pela sonoridade vital da deusa, água e fogo, musa símbolo contra horas perigosas - trazei aquela canção que me ensina brincar de viver.
Clarice Lispector

sábado, 25 de dezembro de 2010
Há muito que hoje não era tão hoje assim
Stella Maris: voz que aprofunda o mar

Transver em Ricky Martin

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Ao mais que humano em mim
Para que afinal floresça
O mais que humano em nós".
Um brinde ao mais almejado.
Que venha como força etérea
Mais que seja corpo, seja livro.
Se faça lampejos dentro de mim
À luz da beleza que quero dar.
Que percorra olhos e mãos
E o amor encantamento
O receba com ímpeto e orgasmo.
Que seja água purificando e
Fertilizando os sonhos para
Alimentar de esperança os
Horizontes.
Que me permita louvar
Palavras e agradecer,
Por escrever e sobreviver
No mais que humano em mim.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Eduardo Viveiros de Castro: o humano

"Se tudo é humano, nós não somos especiais; esse é o ponto. E, ao mesmo tempo, se tudo é humano, cuidado com o que você faz, porque, quando corta uma árvore ou mata um bicho, você não está simplesmente movendo partículas de matéria de um lado para o outro, você está tratando com gente que tem memória, se vinga, contra-ataca, e assim por diante. Como tudo é humano, tudo tem ouvidos, todas as suas ações têm consequências."
Eduardo Viveiros de Castro : antropologia renovada
Seu currículo inclui atividades intelectuais em âmbito mundial. Foi professor-associado nas universidades de Manchester e Chicago e ocupou a cátedra Simón Bolívar de Estudos Latino-americanos da Universidade de Cambridge. Foi diretor de pesquisas no Centro Nacional de Pesquisa Científica, em Paris, tornando-se membro permanente da Equipe de Pesquisa em Etnologia Ameríndia. Ainda na França, foi agraciado em 1998 com o Prix da La Francophonie, concedido pela Academia Francesa.
Aos 59 anos de idade, construiu uma obra potente e irretocável. Viveiros de Castro recebeu a reportagem da CULT em sua sala no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e falou sobre seu trabalho, a atual política indigenista, a crise ambiental e a inserção do Brasil na economia mundial.
Retornei a convite dos Araweté – não foi o primeiro que me fizeram, nesses 15 anos – e da nova administração da Funai em Altamira, com quem tenho a firme intenção de colaborar, nessa fase histórica tão difícil que se abre agora para os povos indígenas do Médio Xingu, com a construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte. Está na hora também de passar o bastão e apresentar alguns de meus estudantes do Museu Nacional aos Araweté, para que possam continuar o trabalho.
Isso não quer dizer que o embaixador (cuja aparência física, diz maliciosamente Lévi-Strauss, indicava uma óbvia contribuição indígena) estivesse mentindo deliberadamente, procurando negar uma realidade vergonhosa mas sabida. De fato, o embaixador não sabia que havia índios no Brasil; o Brasil que ele representava diplomaticamente não continha índios. O Brasil era um país desesperado para ser moderno, então não havia, porque não podia haver, mais selvagens aqui. Outro fato curioso: em 1970 (portanto, 40 anos depois do diálogo de Lévi-Strauss com o embaixador), o censo indígena da Funai indicava, para o estado do Acre, a notável população de “zero indivíduo”. Oficialmente, não havia mais índios no Acre. Aí começam a abrir as estradas por lá, a derrubar a mata, a botar boi, e eis que começam a aparecer índios a atravancar a expansão dos pastos e a destruição da floresta. (Junto com índios, como se sabe, começaram também a aparecer os seringueiros, que se imaginava como mais outra “raça” em extinção. E bem que se tentou extingui-los naquela época – lembrem-se de Chico Mendes.) Ora, índios sempre houve lá no Acre, todo mundo no Acre sabia que eles estavam lá, mas eles não existiam em Brasília, ou melhor, para Brasília. Agora sabe-se e aceita-se que o estado do Acre abriga, atualmente, 14 povos indígenas, alguns de significativa expressão demográfica, como os Kaxinauá e os Kulina. O Acre é um estado profundamente indígena, dos pontos de vista cultural, histórico e demográfico. Na verdade, ele é hoje o principal exportador de práticas e símbolos indígenas (mais ou menos transformados) para o Brasil urbano atual.
Mas, naquele momento, os idos de 1978, quando estava se consolidando a resistência organizada à ditadura, muito da insatisfação política da classe média, dos intelectuais principalmente, se cristalizou em torno da questão indígena, como se ela fosse uma espécie de emblema do destino de todos os brasileiros. É também nesse momento que tomam ímpeto o movimento negro, o movimento feminista, a politização ativa da orientação sexual, a emergência de diversas minorias, diversas diversidades por assim dizer: étnicas, locais, sexuais, ocupacionais, culturais etc. A luta de classes assumia cada vez mais o caráter de uma integração parcial de uma série de diferenciais traçados sobre outros eixos que a economia pura e simples (as relações de produção). Começam a surgir outros atores políticos. É o momento da especulação e da experimentação generalizadas: outras práticas do laço social, outras imagens da sociedade, que não se reduzem ao par Estado-classes sociais, mas que envolvem outras formas de vida, outros territórios existenciais. Os índios foram importantes por sua força exemplar, seu poder de condensação simbólica. Eles apareceram como portadores de outro projeto de sociedade, de outra solução de vida que contraprojetava uma imagem crítica da nossa.
Mas, desde o século 16, a vida indígena aparece como uma imagem crítica da vida “ocidental”.
Os antropólogos, nesse contexto, começam a se organizar como categoria, aliando-se aos índios como atores políticos. Houve, é claro, antropólogos que tiveram um papel importantíssimo na história não só da causa indígena, mas da própria República, como Roquette Pinto ou Darcy Ribeiro, antes de (e durante) essa época. Mas naquele momento, no fim da década de 1970, os antropólogos se constituem como corporação para interpelar o governo e se opor ao projeto de emancipação. Essa mobilização sensibilizou a sociedade, entenda-se, outros intelectuais, militantes políticos de outras causas, advogados, juristas, artistas, e também as camadas médias urbanas, os estudantes… Ao mesmo tempo, e muito mais importante, os índios como que “acordaram” para seu poder de intervenção nos circuitos nacionais e internacionais de comunicação. Eles deixavam ali de ser um elemento do folclore nacional, de um passado vago e distante, e passavam a atores políticos do presente, signos críticos e urgentes de uma ultracontemporaneidade: signos do futuro, na verdade.
Enfim, é nesse momento, fim dos anos 1970, que ganha vulto todo o movimento de auto-organização de coletivos que não são mais redutíveis nem aos partidos nem aos sindicatos: a célebre “sociedade civil organizada”. É então também que começam a aparecer figuras indígenas individuais com destaque político. A primeira delas foi Mário Juruna, um deputado que foi tratado folcloricamente pela imprensa, mas que teve um papel estratégico para a emergência dos índios no cenário político-ideológico nacional e internacional (lembremos do Tribunal Russell). Juruna, que marcou presença por alguns gestos muitos simples, de grande “pega” midiática, ficou famoso com seu gravador – um edificante signo do poder da “tecnologia” nas mãos de um “selvagem”; melhor ainda, e agora de verdade, um dispositivo que preservava a potência e a imediatez da oralidade, o registro semiótico em que os indígenas se sentem completamente em casa – que armazenava as promessas e declarações de autoridades e políticos.
E está em curso a polêmica sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Quando se fala em hidrelétricas, bem, de fato talvez seja melhor do que a energia nuclear – em princípio, uma vez que a questão do lixo nuclear está bem longe de ser resolvida, além dos problemas de segurança –, mas quais são as implicações do ponto de vista, por exemplo, do abastecimento de água? E, aliás, para quem vai o principal da energia elétrica que é produzida por uma grande hidrelétrica como Tucuruí, ou Belo Monte? Vai para a população ou para as fábricas de alumínio, os projetos de extração e processamento de cobre e níquel da Amazônia? O que fazem essas fábricas de alumínio? Latas de saquê e cerveja, principalmente. Por que as fábricas de alumínio estão aqui? Por que países como o Japão não querem gastar uma imensa quantidade de energia para mover as cubas eletrolíticas onde se funde o alumínio? É melhor que um país grande, periférico e perdulário detone seus rios. A usina de Tucuruí, concebida durante o regime militar, significou 2 bilhões de reais de subsídio para as indústrias de alumínio, como constatou um especialista recentemente. O destino real da energia produzida pelo Complexo Hidrelétrico de Belo Monte ainda é uma espécie de segredo de Estado. Mas parece que essa energia virá principalmente para o Sul e o Sudeste, ou servirá para alimentar novas indústrias eletrointensivas – cobre, bauxita, níquel – no Norte, algumas aliásnão nacionais (a direita vive falando no perigo de uma invasão estrangeira da Amazônia; ela já aconteceu, mas como é uma invasão do capital, parece que pode…). Os benefícios para a população, e especialmente para a população local, são muito duvidosos.
O que distingue as cosmologias ameríndias é um desenvolvimento sui generis dessa ideia, a saber, a afirmação de que cada uma dessas espécies é dotada de um ponto de vista singular, ou melhor, é constituída como um ponto de vista singular. Assim, o modo como os seres humanos veem os animais e outras gentes do universo – deuses, espíritos, mortos, plantas, objetos e artefatos – é diferente do modo como esses seres veem os humanos e veem a si mesmos. Cada espécie de ser, a começar pela nossa própria espécie, vê-se a si mesma como humana. Assim, as onças, por exemplo, se veem como gente: cada onça individual vê a si mesma e a seus semelhantes como seres humanos, organismos anatômica e funcionalmente idênticos aos nossos. Além disso, cada tipo de ser vê certos elementos-chave de seu ambiente como se fossem objetos culturalmente elaborados: o sangue dos animais que matam é visto pelas onças como cerveja de mandioca, o barreiro em que se espojam as antas é visto como uma grande casa cerimonial, os grilos que os espectros dos mortos comem são vistos por estes como peixes assados etc. Em contrapartida, os animais não veem os humanos como humanos. As onças, assim, nos veem como animais de caça: porcos selvagens, por exemplo. É por isso que as onças nos atacam e devoram, pois todo ser humano que se preza aprecia a carne de porco selvagem. Quanto aos porcos selvagens (isto é, aqueles seres que vemos como porcos selvagens), estes também se veem como humanos, vendo, por exemplo, as frutas silvestres que comem como se fossem plantas cultivadas, enquanto veem a nós humanos como se fôssemos espíritos canibais – pois os matamos e comemos.
Essa é de fato uma noção universal no pensamento ameríndio, a de um estado originário de coacessibilidade entre os humanos e os animais. As narrativas míticas são povoadas de seres cuja forma, nome e comportamento misturam atributos humanos e não humanos, em um contexto de intercomunicabilidade idêntico ao que define o mundo intra-humano atual. O propósito da mitologia, com efeito, é narrar o fim desse estado: trata-se da célebre separação entre “cultura” e “natureza” analisada nas Mitológicas de Lévi-Strauss. Mas não se trata aqui de uma diferenciação do humano com base no animal, como é o caso em nossa mitologia evolucionista moderna. A condição original comum aos humanos e animais não é a animalidade, mas a humanidade. Os mitos contam como os animais perderam os atributos herdados ou mantidos pelos humanos; os animais são ex-humanos, e não os humanos ex-animais. Se nossa antropologia popular vê a humanidade como erguida sobre alicerces animais, normalmente ocultos pela cultura – tendo outrora sido “completamente” animais, permanecemos, “no fundo”, animais –, o pensamento indígena conclui ao contrário que, tendo outrora sido humanos, os animais e outros seres do cosmo continuam a ser humanos, mesmo que de modo não evidente.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Gabriela Mistral: Eu não sinto a solidão

O que é o saudável da vida?
Canção da Torre Mais Alta
A tudo oprimida
Por delicadeza
Eu perdi a vida.
Ah! Que o tempo venha
Em que a alma se empenha.
Eu me disse: cessa,
Que ninguém te veja:
E sem a promessa
De algum bem que seja.
A ti só aspiro
Augusto retiro.
Tamanha paciência
Não me hei de esquecer.
Temor e dolência,
Aos céus fiz erguer.
E esta sede estranha
A ofuscar-me a entranha.
Qual o Prado imenso
Condenado a olvido,
Que cresce florido
De joio e de incenso
Ao feroz zunzum das
Moscas imundas.
Arthur Rimbaud
Das invenções
Você sorridente me lembrando canções.
Um dia sem marca e sem nome
Só alegria nos conformando
Nos empurrando para dentro
Da história que nós inventamos
Para ser nossa verdade mais real.
Jussara Silveira: a elegância maior

sábado, 18 de dezembro de 2010
Gal e Moreno: meus amores
É amor
Que me obrigo a calar.
Sou óbvio como o que venta
À beira mar.
Meus olhos que buscam
São a música de um sonhador
Qualquer e eu sinto desejo...
Me toquem. É o meu desejo
Minha poesia rasteira é fruto
De uma procura criança
Desesperada dentro do meu peito.
É amor.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Pedra da Baleia

Cachoeira da Bahia: cidade poesia

O mar da minha paixão
bilhetes, doces, segredos.
Abrir sua janela para
minha vida manhã,
ser esse novo em
longas esperas,
inscrito em sua pele
guardado em sua mente
misturado em sua alma.
Quero lhe trazer brisa
num livro minha escrita
editado em sua homenagem.
Quero lhe dar alegria,
poesia para dança
música para sexo
e meus olhos fitados nos seus
para fazermos silêncio.
Quero lhe dar um rio
para que você desague
no mar da minha paixão.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Maria Bethânia: tesouro e luz

Maria Bethânia: o mito da estrela

Ana Paula Arósio: como esquecer?

Jussara Silveira : show no Pelourinho



É hoje. Às 20h, na Praça das Artes, Pelourinho, Salvador- Bahia, no show Nobreza, Cantam Jussara Silveira e Luiz Brasil, tendo como convidado especial Tiganá Santana. Nobreza é daqueles acontecimentos que podem sempre se repetir: trazem luz para a alma e a gente se diverte feito mágica. Imagine os violões de Luiz e Tiganá emoldurando o canto das águas de Jussara? Imagine Jussara e Luiz cantando Argila? Imagine Jussara amalgamando sua voz à voz de Tiganá e tudo isso, acontecendo, de graça, na cidade em que você nasceu?
16 de dezembro deve ser, no Orum, um dia dedicado para que se expresse no mundo a mais fina poesia. Dia pro coração escutar a qualidade. Dia pra reencontrar Jussara Silveira, Luiz Brasil, Tiganá Santana, no patrimônio da nossa audição agraciada pelo antológico Nobreza.
Dia de gritar: Jussara, eu te amo!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Fora das regras

Salve Mãe Carmélia de Oxaguian, a mameto Xagui
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
I'm blue

Debaixo d'água e acima também
melhor fico se faço silêncio.
Eu sou mais azul do que triste,
mais peixe do que gente,
e dou oxigênio a Terra.
De cá das profundezas
a música é transporte
adocica os instantes
de uma vida colorida em sal,
desenhada por sal,
transcendente porque sal.
Do mar me viro animal
e sobrevivo à custa do prazer;
às vezes, duramente, tenho que
respirar... E vou à superfície.
Ali os sonhos se desintegram
e vestido de pele seda azul
experimento a árida tristeza
refletida nos olhos de alguém
que me transforma em humano.
domingo, 12 de dezembro de 2010
DVD Amor Festa Devoção: dança sobre estrelas

Marlon Marcos
De Salvador (BA)
( Para o Terra Magazine - 12/12/ 2010)
O palco se enfeita de rosas vermelhas, as luzes formalizam um cenário que deixa crer que ali é ora rosas ora estrelas e a aparência imediata de uma suposta pieguice vai gerando no olhar sensações de conforto que só a profunda beleza nos pode acometer.
E ela chega. Não se sabe bem se cantando ou dançando - com seus pés alados sobre um céu vermelho -, a voz emite o som da devoção, a mulher singra seus projetos imprimindo canções, umas nas outras, numa elaborada formatação intelectual da intertextualidade. Mas é a fina arte neste País; O Brasil que a cantora resolveu escrever com a voz.
Seus movimentos são o equilíbrio entre o canto e o drama. A palavra sonorizada é tal igual à dita em récitas que rasgam o céu-cenário do palco ao comando da deusa da canção brasileira. A retina do espectador se avermelha quando, impactado de paixão, ouve a cantora falar de mãe, de amor, de gratidão.
"Amor Festa Devoção", DVD recém-lançado, representa narrativas de um tempo passado e presente que Maria Bethânia oferece à posteridade. E consolida retratos do Brasil de dentro, tão esmeradamente cantado pelo olhar etnográfico desta artista nascida em Santo Amaro da Purificação.
Há quem se prenda às repetições que Bethânia sempre traz, mas para quem assiste este audiovisual e penetra na verve cênica e musical que ela imprime em seus shows, vaticina este trabalho fílmico, musical, poético, dedicado à mítica dona Canô, como obra monumental. Monumento à altíssima cultura brasileira. O sentido, ali, se grava na idéia de que o mais simples é muitas vezes o mais sofisticado. E que a feição fundamental do povo brasileiro, para além dos engendramentos industriais que geram o desenvolvimento, é a realização da festa. Sem vergonha nem preguiça, neste DVD de Bethânia, é a festa, em suas perfilações sócio-existênciais, a maior expressão do povo brasileiro.
Em "Amor Festa Devoção", aquela menina que, aos 19 anos, ganhou o Rio de Janeiro, é hoje a grande senhora de nossas produções fonográficas de qualidade, e apesar da inflexão de seu sotaque quase carioca, se mostra despudoramente baiana.
A costura musical executada pela primorosa banda à guisa orquestral de Jaime Alem, a ocupação corretíssima do palco, aquela voz que envelhece melhorando e transformando a canção popular no mais engenhoso produto artístico feito neste País, o figurino que bem veste a mulher, o repertório desfiando aparentes incongruências e a energia de transcendência que ela emite de si para quem a assiste, são compósitos de um show erguido do movimento humano mais poderoso: o amor incondicional. E todos os respingos desse sentimento raro podem ser alcançados nas imagens e no som deste mais recente trabalho lançado ao mercado por nossa Maria Bethânia.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Clarice Lispector: textos onipresentes

respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar."
O tempo nos avassala.
Corro atrás de dizeres alheios
que me toquem e se tornem meus;
corro para dentro do que leio sem pensar,
tenho febre e o que me cura são palavras.
Estou no rastro de uma escritura mistério,
minha bússola é a ânsia que tenho de comunicação.
E se não me expresso,
me obrigo a propalar escritos de uma mulher
que é a matéria que sustenta minha alma.
Clarice Lispector: 90 anos!

Cássia Eller: a gente é assim

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Iansã reina em Dezembro

Falou Amizade

Falou amizade
E por toda cidade ecoa
A letra dos lisvros voa
Falando amizade
Por toda cidade boa
Falou amizade
E por toda cidade boa
A letra dos lisvros voa
Falando amizade
Por toda cidade boa
O sonho já tinha acabado quando eu vim
E cinzas de sonhos desabam sobre mim
Mil sonhos já tinham sonhados
Quando nós perguntamos ao passado
Estamos sós?
Mil sonhos serão urdidos na cidade
Na escuridão, no vazio há amizade
A velha amizade
Esboça um país mais real
Um país mais que divino
Masculino, feminino e plural
Caetano Veloso