
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Atmosferas

Na contramão de mim

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Saudades de Cachoeira

Caras lindas, corpos deliciosos; saberes seculares; arquitetura divina; templos de candomblé; a Pedra da Baleia - minha outra morada -;amigos imprescindíveis; memórias amorosas; pôr-do-sol lindíssimo; mulheres negras secretas; cerveja gelada; muita cachaça;o Pouso da Palavra; a Roça do Ventura; mãe Filhinha de Iemanjá Ogunté; chuva e frio juninos; a profunda saudade e o Paraguaçu - meu mais que amado rio.
Essa cidade não sai de mim.
A esteta do carnaval baiano

Daniela é modelar e ficará em nossa memória como uma deslumbrante hippie-chic festejando os anos setenta e talvez em qualidade, seja a única cantante momesca a representar e a homenagear à altura a inesquecível Carmen Miranda. Além dela, se assim o fizesse, só a insuperável Baby Consuelo, que nunca deveria, e nem deve mais, sair da maior festa pública produzida pelos baianos.
Voltando à Daniela, o seu carnaval foi vigoroso como os ventos fortes de Iansã; contou com as participações marcantes de Vânia Abreu, Margareth Menezes( parceira na música mais significativa de 2009, Oiá por nós), e teve Paula Lima cantando de verdade para todos nós e para vergonha de muitas outras... Daniela, ao lado de Brown, é a esteta do carnaval baiano no setor música eletrizada - pois em outros, os afros e afoxés são imbatíveis no critério estética.
Que delícia ter Dani aqui!!!
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Por um ano de defesa
Dedo de Prosa: Nos passos de Oyá-Bethânia
Cleidiana Ramos

Hoje é dia de festa para santa Bárbara católica, mas também para a guerreira deusa dos ventos e senhora dos raios, patrona dos mercados e portanto da boa sorte, Oiyá-Iansã dos ketu ou Bamburecema dos angolas. É hora de homenagens, mas também informação sobre pesquisas interessantes relacionadas, de alguma forma, a este aspecto da religiosidade baiana. O jornalista Marlon Marcos, religioso de candomblé, fez a sua dissertação de mestrado em Estudos Étnicos e Africanos sobre a relação simbólica entre a arte de Maria Bethânia e o seu orixá Oyá-Iansã. É um belíssimo trabalho de pesquisa unido à poesia e feito por alguém que, além de competente pesquisador é uma figura humana incrível. Para quem deseja conhecer mais detalhes sobre o trabalho ele ainda não está publicado, infelizmente. O jeito é aguardar mais um pouquinho, mas como o próprio Marlon afirma, "Iansã vai vencer mais esta guerra".
Como surgiu a idéia para a elaboração da pesquisa?
Foi quando eu estava fazendo uma disciplina na Facom (Ufba) que discutia os mitos contemporâneos e, principalmente, depois de ler Edgar Morin em seu Mito e Sedução no Cinema, onde ele teoriza sobre o “star sistem”, sobre a fabricação das estrelas e associa os mitos midiáticos aos originais.
O que você destacaria como principal conclusão do trabalho?
Parafraseando Lévi-Strauss: a importância que os mitos têm para nos fazer pensar nós mesmos em nossos ritos cotidianos. E mais ainda: a importância artística de Maria Bethânia que traduz esteticamente, e com muito respeito, alguns elementos sagrados da religião negra que muitos professam aqui no Brasil. Meu trabalho é uma antropologia da beleza e da possibilidade divina presente em qualquer ser humano. E nós, povo-de-santo, sabemos disso.
Além de Bethânia você citaria uma outra artista que estreitou a sua relação artística com o candomblé de forma tão próxima?
Clara Nunes – bem destacadamente-, um pouco dona Clementina, Lia de Itamaracá. E aqui, na Bahia, seguindo os passos de Bethânia e de Clara, Mariene de Castro. Agora, tem uma voz masculina que cria canções-mantras para orixás, inquices e voduns. Seu nome é Tiganá Santana.
Na condução da pesquisa qual foi o seu maior obstáculo?
Fiel ao arquétipo do orixá que deu o tema do seu trabalho, então, missão vencida.
P.S.: Originalmente publicado no Portal do A Tarde Online, pelo blog Mundo Afro, editado por uma das mais importantes jornalistas desta terra, Cleidiana Ramos. Neste dia de comemoração e de rememoração não podia faltar aqui !
Esotérico

Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu pra você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, todos iguais
Até que nem tanto esotérico assim
Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais
Mistério sempre há de pintar por aí
Não adianta nem me abandonar (não adianta não)
Nem ficar tão apaixonada, que nada
Que não sabe nadar
Que morre afogada por mim.
Quem rasga os raios lá fora?

Tudo pode acontecer. Que seja o belo das coisas que sonho para mim e para muitos. Que tenha a leveza da realização e o peso necessário do trabalho. Minha vida que não larga a Poesia e se lança aos caminhos profundos da Antropologia e abraça também o Jornalismo.
Reitero: leveza para combater a pesada nojeira da inveja alheia nos tempos atuais. Leveza para trazer inspiração e ampliar a criatividade. Leveza para olhar o tempo passando na certeza do que é nosso ninguém nos tira. Leveza para marcar nossa vida de auto-importância e para que nossa própria companhia nos seja a mais agradável e a única imprescindível.
Leveza para que o AMOR saiba que eu amo amar ele.
Todo 21 me é pura beleza - nem sempre alegrias - mas símbolo da vida que pulsa e me dá esperança e vontade de prosseguir. Eu sempre sigo à frente.
Filosofia Pura
Pelo prazer imenso que eu sinto quando estas duas cantam juntas...
Quanto mais a gente ensina
Mais aprende o que ensinou
Ê á, ê ô
Ê á, ê ô
E o desejo da menina
Quando o seu corpo fulmina
Acende o fogo do amor
Ê á, ê ô
Ê á, ê ô
E a sensação divina
De dominar quem domina
É que cura qualquer dor
Ê á, ê ô
Ê á, ê ô
Pois trocar vida com vida
É somar na dividida
Multiplicando o amor
Pra que o sonho dessa gente
Não seja mais afluente
Do medo em que desaguou
Ê á, ê ô
Ê á, ê ô
Ê á, ê ô
Ê á, ê ô
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Não chove, mas chove.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
O moço do saxofone
Eu era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com um cara que fazia contrabando. Até hoje não entendo direito por que fui parar na pensão da tal madame, uma polaca que quando moça fazia a vida e depois que ficou velha inventou de abrir aquele frege-mosca. Foi o que me contou o James, um tipo que engolia giletes e que foi o meu companheiro de mesa nos dias em que trancei por lá. Tinha os pensionistas e tinha os volantes, uma corja que entrava e saía palitando os dentes, coisa que nunca suportei na minha frente.
Palacete das Artes Rodin Bahia
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Eu quero Baby !
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
O castanho dos seus olhos
Rita Braz

Fruto dos encontros vocais, de tradições musicais. Uma mulher que representa em sua arte o vigor das Mães Negras nos barracões dos terreiros cantando para os elementos da Natureza. Uma afinação harmoniosa de tonalidade européia somando-se à força mágica de um canto eterno como o de Clementina de Jesus.
Simplesmente isso: Rita Braz é voz de junção. Misto de erudito e popular ofertando beleza aos amantes da musicalidade extraída do seu cantar.
Uma artista que chega e ecoa. E voa como deve voar.
100 anos da mais que notável

sábado, 14 de fevereiro de 2009
Pelo que muito seria

Apesar de
Tudo tem seu tempo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Nossos momentos
Carcará

Maria: 44 anos de carreira

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Billie em Strange Fruit

Tradução:
"Fruto Estranho - Lewis Allan
As árvores do Sul carregam um fruto estranho,
Sangue nas folhas e sangue na raiz,Corpo negro que balança à brisa do Sul,
Fruto estranho pendendo das árvores de álamo.
Cena pastoral do garboso Sul,
Os olhos inchados e a boca torcida,
Aroma de magnólia doce e fresca,
E o súbito cheiro de carne queimada!
Aqui está um fruto para os corvos bicarem,
Para a chuva juntar, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para a árvore deixar cair,
Aqui está uma estranha e amarga colheita".
P.S: O mais pungente e artístico manifesto contra o racismo branco no Sul dos Estados Unidos; cantado de modo sobre-humano por ela que reinventou a canção: Billie Holiday.
Agradecimento a Felipe Lasserre
Este jovem historiador, um dos mais competentes alunos que tive até hoje, me prestou uma homenagem que em mim, significa a mais importante das titulações para quem pratica o ofício do ensino... É cabotino, mas eu, em agradecimento, a publico aqui:
Sobre pessoas estrelas
08/02/09
Com certeza todos nós já lemos ou ouvimos falar da diferença entre pessoas cometas e pessoas estrelas: aquelas são as que passam por nossas vidas em algum momento e desaparecem sem deixar rastro; estas, por outro lado, nos marcam de forma que ficam em nossas vidas e nunca mais saem.Esse post é uma homenagem a um querido amigo que é, com certeza, uma estrela na minha vida. Um camarada do bem, que só espalha energia positiva a seu redor. Eu lhe garanto, se você estiver desestimulada(o), cansada(o), se tiver perdido a fé na humanidade e no que há de bom nela, meia horinha de conversa com esse rapaz é batata! Você sairá pronta(o) para enfrentar o mundo de cabeça erguida.Marlon Marcos Vieira Passos, meu amigo, o que é importante você já sabe. Agora é só seguir os seus passos em sua luminosa trajetória de ser humano, mudando algumas coisas para alcançar os fins que eu almejo agora, mas sem mexer na essência, que é o que nos caracteriza, de fato.E agora vou botar a tradução de Strange Fruit, essa música que fez tanta diferença nas nossas vidas e até hoje é um símbolo muito forte pra mim. Me orgulho muito de ter aprendido com você sobre "etnocentrismo e Billie Holiday", além de todo o conteúdo curricular, é claro! Ah, ia esquecendo! Ana Angélica te mandou um grande beijo. Nunca tenha dúvida de que você é um GRANDE PROFESSOR!
Um beijo no coração.
Fonte: www.fotolog.com/felipelasserre
P.S.: Querido, você é prova cabal de que eu cumpri direitinho a minha tarefa. Obrigado e Iemanjá lhe abençoe.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Sobre 'aqueles dois'
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Mãe Menininha
Ela nasceu em 10 de fevereiro de 1894 e veio a falecer em 13 de agosto de 1986. Um dos maiores símbolos da religiosidade do Candomblé; mãe sagrada de muitos filhos; senhora de muitos feitos - um mito. O povo de santo da Bahia e do Brasil lhe é muito grato, esta mãe de sabedoria invulgar foi uma das representantes sui generis do sacerdócio feminino nas religiões de matriz africana e saltou em qualidade, perfilou seu tempo, abrigou vários brancos oriundos de classes sociais abastadas e não perdeu os ensinamentos que lhe foram legados por duas outras rainhas: sua bisavó, Maria Júlia e sua Tia, Púlcheria de Oxóssi.
Hoje, ela faria 115 anos e sempre é festejada por sua comunidade do Gantois, governada, atualmente, por sua filha caçula mãe Carmen de Oxaguian. Cânticos devem ser entoados para a Oxum mais bonita - imortalizada por Caymmi, adorada por Maria Bethânia e Gal Costa - e sua memória continuará viva como deve ser historicamente em nome da presença dos valores religiosos deixados pelo povo negro de origem africana nesta nação brasileira. Axé, mãe. Motumbá!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
A preta do acarajé
100 anos da Pequena Notável
Nascida na Fraguesia de Várzea de Ovelha, distrito do Porto, em Portugal, em 09 de fevereiro de 1909, Carmen Miranda é a mais representativa de uma brasilidade ainda decantada em nosso país. Uma artista imortal. Uma presença de luz na música do nosso Brasil e modelo para a construção de tantas outras carreiras. A nossa Daniela Mercury é recorrente em trazê-la para o carnaval baiano como mote inesgotável de inspiração musical, gestual e de indumentária. Hoje, sua memória é devidamente festejada e ela deve estar às gargalhadas em nome da alegria que sempre nos ofertou. Salve o samba! Vive Carmen Miranda!
domingo, 8 de fevereiro de 2009
À espera do carnaval
Alento vem do mago do Candeal, a mente sonora e criativa de Carlinhos Brown, trazendo algumas possibilidades de novidade e acerto estético, e contemplação gostosa e movimento ao corpo. A principal peça da nossa eletrização, o belo pai de Franscisco, casado com a Buarque Helena, de fato, com orgulho, é a alma viva do carnaval da Bahia; enquanto os acima citados, só servem para aliviar estresse de paulista, não querendo experimentar as belezas do carnaval pernambucano.
Ao lado de Brown, só a beleza e a composição artística da rainha ( verdadeira!) Daniela Mercury - nesta praia, os dois desfilam criatividade em absoluto a favor disso chamado carnaval de Salvador.
Aqui se tem outras alegrais, é verdade!, o Ilê Aiyê em sua saída sublime; a marca constante do Gandhy misturando fé e alegria; o Expresso 2222 do Gil, quando pinta sem Claudia Leite e companhia; a Timbalada com Denny; o Harmonia e a doçura erótica de Xandy; o Cortejo afro; os blocos de samba; Oludum; a reiterada maestria de Gerônimo; Mariene de Castro e Márcia Short cantando e o melhor: a Mudança do Garcia.
Estou louco que carnaval chegue e passe e me traga vindouras possibilidades de conhecer os carnavais pernambucano e carioca. Se eu ficar aqui, 2009, quero ver o Malê, ouvir Lazzo e se Deus muito ajudar, ouvir Baby, Pepeu, Paulinho Boca, Moraes, tendo como convidados Caetano, Gil e Davi Moraes... Se é pra repetir que me seja com qualidade!!!
Ave Carlinhos Brown!
sábado, 7 de fevereiro de 2009
E o mundo não se acabou

Carmen Miranda

Adeus batucada
Em criança com o samba eu vivia sonhando
Na batucada da vida
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Dona Quelé
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Mão ao chão
A beleza sem medida marcando a saída do seu lugar melhor de comunicação:o palco. Toca o chão em elegância e agradece à Luz e ao público e volta para o cotidiano e planos de retornar na luminescência do corpo de mulher guiado por uma voz. A voz de 62 anos. Cada vez mais límpida e sobre-humana.
Dedo ao céu
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
As três meninas do Brasil
Em alguns setores da reunião humana neste país a beleza viceja, se prolonga e nos atinge. O selo Quitanda, centro irradiador da inventividade da cantora Maria Bethânia, associado à gravadora carioca Biscoito Fino, lançou o novíssimo projeto Três meninas do Brasil, que nos formatos de CD e DVD, traz as brasileiras Jussara Silveira, Rita Ribeiro e Teresa Cristina, desfiando agradabilíssimo repertório que já desponta como uma das mais sólidas e bem-vindas novidades musicais de nossa indústria fonográfica em 2009.
Imagine-se cada uma destas cantoras, de modo independente, conduzindo suas carreiras à luz de criatividade, trabalho, bom gosto, afinação, bom senso e coerência artística, sagrando-se entre as mais representativas do cancioneiro brasileiro na atualidade e, depois, juntando-se magistralmente para fazer a melhor música popular que um lugar pode ter.
Pois é assim: interpretações personalíssimas, suingadas e dirigidas a entreter a alma e o corpo de quem as ouvem, perfilam este projeto nascido, primeiro, do interesse de Rita Ribeiro e Teresa Cristina de comporem juntas; daí surgiu a ideia de um show com três, e o nome Jussara Silveira se apresentou. O projeto ganhou corpo de texto com as mãos de Rita Ribeiro, que também resolveu convidar seu fiel escudeiro ultimamente, o jornalista baiano Jean Wyllys, diretor artístico da empreitada que chega para iluminar de música esses dias dificílimos da economia mundial.
O que pensar e sentir de um show-disco que junta Dorival Caymmi, Tom Zé, Caetano Veloso, Chico Buarque, Zeca Baleiro, Sérgio Sampaio e Carlinhos Brown. Que canta Márcio Greyck em sua canção de amor desvelado, Impossível Acreditar que perdi você e segue homenageando os baianos dos anos 70, o grupo Ticoãns, célebres em louvar santos, orixás e caboclos nos LP’s que gravavam e nos shows que faziam? Tudo isso nas vozes das três meninas?
É um trabalho de reparação estética no universo da música popular brasileira. Uma festa para a noção de satisfação e prazer que tanto precisamos para prosseguirmos menos doídos. A baiana nascida em Minas Gerais, Jussara Silveira, empresta a sofisticação do seu canto e viaja por seu repertório peculiar para depois se aliar a outros temas da canção nacional. A maranhense Rita Ribeiro, detentora de belíssima voz, segue mostrando suas pesquisas culturais e revisita também seu próprio repertório. A carioca premiadíssima, musa de Paulinho da Viola, Teresa Cristina canta as delícias do samba do Rio de Janeiro, e segue com sua voz de alegria e choro festejando canções dos quatro cantos do Brasil.
Note-se que é um trabalho de dimensão nacional, que busca abarcar com qualidade e com o filtro estético de cada cantora envolvida, as feições da musicalidade do nosso povo e que por ser feito por uma baiana, uma maranhense e uma carioca reveste-se de negritude, corroborando a máxima de que no cenário da música no mundo, a negrada é imbatível.
(Publicado no Opinião do A Tarde em 31/01/2009).
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Na barra da sua saia

domingo, 1 de fevereiro de 2009
Eu e água ( na voz de Maria)
A água arrepiada pelo vento
A água e seu cochicho
A água e seu rugido
A água e seu silência
A água me contou muitos segredos
Guardou os meus segredos
Refez os meus desenhos
Trouxe e levou meus medos
A grande mãe me viu num quarto cheio d'água
Num enorme quarto lindo e cheio d'água
E eu nunca me afogava
O mar total e eu dentro do eterno ventre
E voz de meu pai, voz de muitas águas
Depois o rio passa
Eu e água, eu e água
Eu
Cachoeira, lago, onda, gota
Chuva miúda, fonte, neve, mar
A vida que me é dada
Eu e água
A água
Lava as mazelas do mundo
E lava a minha alma