sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sem lugar


Ando vendo postais. Entre ser e ter vontade de seguir alguém. Pousando nisto de viver sentido alguma vez. Ficando parado em silêncio para o caminhar do tempo que não me tira do lugar. Eu, o sem movimento. O que só vê postais e nada nas águas do mundo alheio. Aquele que se serve como alimento de si mesmo mas orbita em torno do outro. A desfunção do querer que existe sem prazer. Calor calor calor.
Ando mergulhado em postais e nenhuma cidade me cabe neste mundo. Talvez eu me seja só saudade e canse e não sirva como escrita, não sirva como nada.
O sorriso de Cachoeira é perverso.
O Rio é linda inconclusão.
São Paulo me realiza no susto.
Paris se distancia.
Nova Iorque me fascina e é medo.
Abeokutá eu renasço.
Sevilha é degredo.
Lisboa me evita e faz poesia.
Barcelona é um filme.
Luanda é encanto político.
Lagos não me moraria.
Salvador me desanima mas é o que me finca no mundo.

Tudo se esvazia nesse tempero de dor e confusão.

Um comentário:

Carlos Barros disse...

Que texto que vai fundo.
Pra mi, que me sinto em eixo com a necessidade de transitar, serviu como um desabafo para minha alma!

Mais uma vez: profundidade poética!

Abração, meu caro!