segunda-feira, 31 de maio de 2010
À morte
Para o mar
Gal Costa

sábado, 29 de maio de 2010
Mulher Negra

Eu me orgulho de ser
Esse canto de ancestral
Axé ayê auweto
sexta-feira, 28 de maio de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Uma prece por mim
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Liderança feminina no candomblé em destaque

O encontro vai acontecer no Centro Cultural da Barroquinha, local que tem uma estreita relação com a história de constituição da Casa Branca, que é considerado o mais antigo terreiro de tradição ketu do Brasil.
As interessadas podem comparecer e fazer a sua inscrição, que é gratuita. A programação é extensa, mas as oficinas serão sobre história, com a participação da professora Cecília Soares, que tem um trabalho maravilhoso sobre a atuação das mulheres negras no século XIX; sobre liderança, dentre outros temas. Também vai acontecer mostra de filmes."
P.S.: retirado do blog de Cleidiana Ramos, Mundo Afro.
-->
Vasculho

Aceno da sua necessária imperfeição.
Mulher que barulha na rota do silêncio
Assomando-se ao sal da criação
Para compor uma natureza.
Ela que imprime beleza
Exterminando padrões
Típico cantar da poesia
Relembrando Safo entre nós.
Ela militância de seu ofício.
Certezas menores que dor
Voz da realeza singrando
As turbulências do amor.
Ela furor do destino...
Corpo franzino de mulher
Alçado à condição de mito.
Para efeito do amor

Os olhos lacrimejam. Tudo estacionado na vida que passa tão rápido e o pedido à beira da porta. Voz alucinante do pensamento que se precisa vazio; voz do silêncio no outro entre cândido e medroso; o narrar sublime da cantora que aumenta a poesia nesse instante de amor e súplica. O estúpido caminhar do romântico investindo-se a favor do sexo.
"Tá tudo aceso em mim, tá tudo assim tão claro", sem afastar silêncios naquele pedido... Os olhos enxugados e o rosto num eterno descanso no dorso parado à entrada da casa... O lado de dentro que dá sentido, que dá felicidade.
De súbito: os sorrisos advindos da permissão...
A contadora de histórias, a cantora, num excesso de iluminação: " desde que sim eu vim morar nos teus olhos".
, estivemos o tempo todo prontos. Você sempre se chegando para mim. É o que está certo.
Da janela de Gal Costa


segunda-feira, 24 de maio de 2010
Masmorra
Impulso Quântico: Lydia Sepulveda
As obras que compõem a mostra sintetizam o amadurecimento artístico de Lydia Sepulveda impulsionada a “falar” nas entrelinhas sobre como sua experiência existencial somada à poética da sua arte expressam, em fragmentos e abstração, as possíveis relações do olhar humano com o que de “natural” corporifica o seu exterior.
Os títulos das telas encaminham o espectador a leituras iniciais para possíveis compreensões do que ali se traduz, valorizando, é claro, a subjetividade de cada receptor, de cada fruidor diante das impressões laboriosamente construídas por Lydia Sepulveda. Títulos como A dança do fogo, Revoada de corvos, Ventania, Pássaros feridos, Terra em transe, Adivinhando o ouro do Pantanal, Travessia perigosa, entre outros, inserem a artista no universo aberto das traduções artísticas e sua busca por espelhar a Natureza a partir da vibração de sua expressiva pintura.
Referendo Artístico
Durante todo o ano de 2010, a galeria Prova do Artista, de Veranice Gornik e Denisson de Oliveira, estará comemorando seus 25 anos de existência. Um dos pontos fundantes daquela galeria é o interesse de apresentar à sociedade baiana novos talentos, pintores iniciantes que demonstrem talento, qualidade artística; portanto, além de renomados das artes visuais, a Prova do Artista faz questão de mostrar o trabalho inaugural de Lydia Sepulveda que , na leitura de Denisson de Oliveira, “a partir de uma seleção de trabalhos feita ao longo desses anos, nós temos a oportunidade de desvendar um novo talento nas artes da Bahia; seguimos a elaborada apresentação do consagrado Murilo Ribeiro, um dos curadores da exposição, ao destacar a importância de se servir como instrumento de divulgação deste trabalho iniciático mas promissor”.
Murilo Ribeiro, renomado artista brasileiro, assina a curadoria ao lado de outro consagrado artista, Justino Marinho, e em seu texto de apresentação vaticina: “A pintura de Lydia com seu gestual espontâneo vem em pleno conhecimento da Física Quântica, do permanente deslocamento do quantum... Gestos desdobradores e reveladores que multiplicam vetores em contrárias direções... Dança do pulso da mão que gesta. Da alma que se entrega e cria... De Lydia cabe dizer: sua pintura é Força da Natureza”.
O curador Justino Marinho sobre o trabalho da artista avalia: “Lydia recusa o aprendizado técnico no sentido convencional, cria uma técnica pessoal, adequada aos seus fins expressivos, realmente intransferível. A espontaneidade, que é um traço da artista casa perfeitamente com o resultado de suas obras”.
Sobre a artista
Lydia Sepulveda, 47 anos, é economista de formação. De família que valoriza a cultura e a arte, teve acesso, desde cedo, a diversas manifestações artísticas e culturais, o que lhe abriu um espaço para a liberdade de criar. Em sua trajetória profissional, trabalhou na Desenbahia na área de Planejamento e nos últimos anos na Assessoria de Comunicação. Atuou no incentivo a projetos culturais na Área Governamental e na Iniciativa Privada, participando, dentre outros, da elaboração e implantação do Projeto da Casa Anísio Teixeira, em Caetité. Esteve sempre envolvida em projetos culturais voltados para o apoio ao desenvolvimento e fomento das mais diversas linguagens artísticas e culturais. Trabalhou no MAM/Ba, quando voltou seu interesse para a pintura, desenvolvendo a partir daí, o desejo de direcionar sua criatividade para as artes plásticas. Hoje, além da pintura como atividade principal, Lydia dedica-se à edição do seu livro que espera ver acontecer o mais breve possível.
Serviço
Exposição: Impulso Quântico
Artista: Lydia Sepulveda
Curadoria: Murilo Ribeiro e Justino Marinho
Local: Prova do Artista (Galeria de Arte)
Endereço: Travessa Bartholomeu de Gusmão, 13/01 – Rio Vermelho (3341-6247)
Vernissage: 26 de maio de 2010 ( quarta-feira), das 19 às 23h.
Exposição: de 27 de maio a 20 de junho de 2010, sempre de segunda à sexta, das 9 às 18h; e aos sábados, das 9 às 13 horas.
Obs.: Todos os quadros serão disponibilizados para venda.
livro do quase invisível

Em nossos olhos...
O segredo dos seus olhos

sábado, 22 de maio de 2010
Lenine é de Iemanjá

Trajetória insigne de um mestre que apareceu na hora certa. Sua fala são aspas para exprimir o pensamento melhor da gente brasileira. Ele, o Nordeste-Brasil que se espraia da França. Humano de muitos lugares, alma nascida na negra Bahia, corpo habitante do Rio de Janeiro; manejo das palavras em tons europeus e sonorização africana profunda.
Orgulho de Pernambuco, criatividade acesa para todos que vivem e fazem o Brasil da contemporaneidade.
Homem-destino, físico masculino no arquétipo feminino que sua mãe Iemanjá impingiu na presença artística dele.
Lenine é de Iemanjá, e eu agradeço por isso.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Adeus a Damário DaCruz

Você se foi no dia do meu aniversário; no momento intenso das minhas perguntas sobre o que se é viver. Viver, pra mim, é ser poeta e fazer de Cachoeira, minha cidade amada, mais linda do que ela já é... Pousei tanto no Pouso e vivi sua poesia, um pouco, de perto do seu autor. Sua vida foi cumprida nas marcas raras de quem desenha cores, fala de amores e nos faz sonhar pelo ímpeto profundo da palavra erguida poema. Sua vida, humana, foi poema e por tanto mistério divino e tanta amargura cotidiana, nessa coisa da gente não se saber, vai-se cedo. Sua arte fica e sua presença amiga nos faz, de algum modo, permanecer. Um poeta pode morrer em 21 de maio: para marcar-me no difícil e sublime caminho, que mesmo eu menor, sou-me inteiro a poesia que existe no mundo. Independentemente de língua, sou-me a insígnia que revela a poesia como respiração e salvação para quem sente o mundo deste jeito.
Meu poeta,
Siga pelos ventos da nossa Oyá-Gaiaku Luiza e, só não deixe de fazer poesia aí do Orun!
Todo risco
A possibilidade de arriscar
É que nos faz homens
Vôo perfeito
no espaço que criamos
Ninguém decide
sobre os passos que evitamos
Certeza
de que não somos pássaros
e que voamos
Tristeza
de que não vamos
por medo dos caminhos
Damário DaCruz
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Meu olhar eu lanço para as estrelas


quarta-feira, 19 de maio de 2010
Estar ou não estar só, eis a questão
Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector “Tentação” na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.
Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
(Publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, 22/04/1986)
Caio Fernando Abreu: dizeres de um lugar alto astral

segunda-feira, 17 de maio de 2010
Dos dias que se seguem

"É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio..."
Feliz Aniversário
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!... (Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .
Pára, meu coração! Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
À espera
O preço da traição
Abeokutá


sexta-feira, 14 de maio de 2010
Foi-se no vento
Museu expõe em Berlim a maior retrospectiva de Frida Kahlo da história
Por Tereza Pires
Entre 30 abril e 9 de novembro de 2010, 120 pinturas e 70 desenhos de Frida Kahlo estarão expostos no Martin-Gropius-Bau, situado na Niederkirchnerstr, 7, Berlim. É a mais extensa retrospectiva da artista, incluindo obras nunca trazidas a público, algumas consideradas como perdidas e a última, inédita, até então. A mais famosa mulher artista na primeira metade do século 20 alcançou este patamar combinando cores, cultura e folclore mexicanos com experiências traumáticas da vida pessoal. Ao captar o drama da deficiência física, o visitante percebe, na mostra de Berlim, as paisagens que se transformam em fantasias sexuais e o sutil humor em alguns textos e imagens.Frida foi uma das pessoas mais desejadas do seu tempo, por muitos homens e algumas mulheres. Carismática, sabia como seduzir as pessoas por quem era atraída e seu modo de se vestir lançou um estilo, seguido até hoje. Além da moda, sua figura é cada vez mais fonte constante de inspiração na música e nas artes plásticas e visuais.
“Para que pés, se tenho asas para voar?”
Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu em 6 de julho de 1907 em Coyoacán, México, do casamento de Guillermo Kahlo, de origem alemã e Matilde Calderón. Filha de fotógrafo, sabia utilizar a câmera, revelar, retocar e colorir, o que lhe seria muito útil na carreira.Sempre soube como se posicionar - direcionava o olhar intenso para a câmera e mantinha os lábios fechados. Aos seis anos contraiu poliomielite, o que lhe afinou a perna direita. Para ocultar o defeito físico, começou, muito jovem, a usar calças compridas e, em seguida, passou a vestir-se com roupas masculinas.Estudante da Escola Preparatória da Cidade do México (1922), participou do grupo de vanguarda “Los cachuchas” interessado em literatura e nas idéias socialistas. Fazendo moda de protesto, os membros escolheram, para se identificar, uma espécie de gorro, usado pelos traficantes. Destas fileiras, saíram muitos líderes da esquerda mexicana.
“Corpo rima com dor”
Em 1925, sofreu o terrível acidente de ônibus que marcaria para sempre sua vida. A perna doente sofreu nada menos do que onze fraturas, três vértebras lesionadas jamais foram curadas e a dor era constante. Frida teve graves sequelas na área genital, tornando-se incapacitada para a maternidade.A medicina daquele tempo torturou seu corpo com 35 cirurgias: enxertos de coluna, trações, amputações de dedos, uso de coletes ortopédicos de gesso, couro, argila e metal. Durante a longa recuperação, a artista começou a pintar seus pequenos autoretratos. Como saía nas fotos, assim mesmo se pintava: sobrancelhas unidas e um buço desenhado meticulosamente, fio a fio.Primeiro, foi realista, pintando retratos de amigos e familiares. Depois, para exorcizar a dor no corpo destroçado, passou a usar imagens oníricas, muitas vezes brutais. Uma boa parte de sua obra é associada à Escola Surrealista. Perguntada sobre o motivo que a levou a ser a protagonista de sua própria arte, respondeu que passava muito tempo sozinha e era o modelo que melhor conhecia.
Na Gringolândia
Depois de 3 anos experimentando técnicas diversas, resolveu enviar algumas obras a Diego Rivera, que a encorajou a continuar seu trabalho. Enquanto pintava, presa ao leito, continuava imersa na sua realidade social e compartilhava com o famoso muralista os compromissos com a Revolução Mexicana e a exaltação da mexicanidade, contra a americanização.Kahlo e Rivera casaram-se em 1929, divorciaram-se em 1940 para se recasarem pouco tempo depois. De 1931 a 1933 Rivera – convidado para pintar um mural e Frida na tentativa de experimentar alguns tratamentos pioneiros - viveram nos Estados Unidos, a Gringolândia, como ela chamava. Foi uma estada malsucedida. Ela não se vestia como as saudáveis norte americanas, usava calças compridas e fumava em público. O que, na época, era um tabu.Reinvenção da mexicanidadeAo adotar o traje típico de Tehuantepec, por sugestão de Rivera, não procurou disfarçar a deficiência física e nem se fantasiar com roupas folclóricas e cores locais para ir a um baile de carnaval. A opção pelo vestuário de índia tehuana, ao contrário do que pode parecer, não era um ato fútil: chegou no momento em que Frida desejava validar sua cultura e fazer parte dela. Era um figurino diário colorido, com acessórios exuberantes, anéis em todos os dedos, flores na cabeça e saias volumosas.Na pintura, este engajamento aparece nas representações dos “ex-votos” - quadros de formato normalmente pequeno, que o povo mexicano confecciona para agradecer os milagres da Virgem Maria e dos Santos.
“Que a partida seja alegre “
Verdadeiro ícone no México, apenas uma vez teve sua obra exposta em seu país, na Primavera de 1953. Proibida de comparecer pelos médicos, mandou chamar uma ambulância e chegou ao local logo após a inauguração do evento, levada em maca. Acompanhada por uma multidão de jornalistas, cantou, bebeu, contou anedotas. Neste ano, a perna direita foi amputada abaixo do joelho, em consequência de gangrena. A partir daí, Frida tornou-se deprimida, depressiva e tentou o suicídio várias vezes. A morte em 13 de julho de 1954 foi envolta em rumores de suicídio, sustentados pela ausência de autópsia. Suas últimas palavras, escritas no diário, foram: “Que a partida seja alegre e espero nunca regressar” . A fascinante Frida Kahlo, não tendo sido uma pintora extraordinária pela técnica, segundo os críticos, teve a capacidade de converter em arte sua própria vida.
P.S.: retirado do mixbrasil ( www.mixbrasil.com.br)
Humberto Werneck ensina a arte brasileira da conversa

O escritor Humberto Werneck é outro caçador de lepidópteros, muitos deles aprisionados nos casulos dos dicionários e da memória. As suas crônicas publicadas no jornal "Brasil Econômico", aos sábados, recuperam a importância das palavras e das pequenas histórias para o cotidiano. Parte dessa caça está no livro "O espalhador de passarinhos & outras crônicas" (Edições Dubolsinho), que será lançado nesta quarta-feira (12), a partir das 18h30, na Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, em São Paulo.
Werneck organizou a coletânea "Boa companhia" (Cia. das Letras, 2005), com 42 clássicos da desconversa, de Fernando Sabino a Antônio Maria. Mas faltava o seu palmo de prosa. Depois da biografia de Jayme Ovalle, devia-nos os vestígios de sua própria vida de repórter e escritor, diariamente observando as desgracinhas deste mundo com um humor que dá o bote antes que as ideias insinuem arabescos.
Quer exemplo? Na Flip 2008, Werneck compartilhou uma mesa literária com o jornalista Xico Sá, que buscava a palavra certeira para definir um ponto oculto feminino - como diria o Houaiss, "a base do púbis", entre a vulva e o você-sabe. "Qual é o nome?...", vasculhou Xico. "Períneo... Já estive lá", matou Humberto.
Quando a antena capta uma de suas tiradas, a tentação é seguir o conselho de Nelson Rodrigues, a respeito de Otto, e abrir uma promissora "Loja de Frases". Algumas das crônicas de "O espalhador de passarinhos" nascem do bom papo, o qual serve de laboratório para as teorias werneckianas mais representativas. Vem-me a dubiedade da "mulher interessante". A da vertigem de sobreloja é recomendável para etiquetar aquele escritor (ou nem tanto) que sente alturas literárias quando ainda nem passou da marquise do Edifício Itália. Vaidades, vaidades. O que poderia bivacar na conversa fiada ganha refinamento em "O marido da mulher pelada":
"Pode ser que você não esteja ligando o nome à coisa, mas na certa conhece essa modalidade de apoteose mental a que todos, uns mais, outros menos, estamos sujeitos. Imagine o camarada que, tendo subido um modesto lance de escadas, já se considera no topo do edifício. Ainda não fez jus ao inebriamento lisérgico de uma genuína vertigem de altura, pois mal chegou à sobreloja - mas já começa a gastar por conta"
Repórter e escritor se encontram na reinvenção de palavras e no tempo da narração, às vezes puxando o rabo-de-papel da morte: "Gosto de cemitérios. Não como residência, é claro, pelo menos não por um bom tempo ainda. Gosto. Acho até que vou acabar num deles. Se não me cremarem, naturalmente. Mas só depois de morto, por favor."
No texto derradeiro, Werneck relata o obscuro - e jamais publicado - ensaio fotográfico de Alina Fernández Revuelta para a Playboy. Filha rebelde do comandante Fidel Castro, ela fugiu de Cuba em 1993, disfarçada de perua espanhola. Residiu em Madri e depois se mudou para Columbus, na Geórgia (EUA). Redator-chefe da revista, Werneck a convenceu a posar nua. "Por que não? - ecoou Alina, subitamente animada."
As curvas irregulares, salpicadas de celulites, exigiram um ajustamento do corpo - sim, da boca. "Como a bruxa de Joãozinho e Maria, eu pediria a ela, de tempos em tempos, que mostrasse o dedinho - o qual, ao contrário do que ocorre na história, deveria apresentar-se cada vez mais delgado", conta. No jantar para acertar o contrato, Alina se apresentou "sem maquiagem, metida numa roupa suja e com cabelos cuja coloração sugeriu às visitantes 'uma água de salsicha'".
Sem pensar nos rumos da revolução, mas apenas na qualidade da vanguarda, a Playboy preferiu não publicar as fotos de J.R. Duran. Bem, esse é o detalhe. Deliciosa pacas é a forma da narrativa, num livro em que o relato jornalístico é ocasional. Outra maravilha de humor e concisão em "Antes que me esqueça":
"As duas amigas, já francamente outoniças, arrastavam as chinelinhas pelo parque em vacilante caminhada, uma amparada na outra, pulando de assunto em assunto ao sabor de suas memórias cada vez mais despovoadas."
"- Que fim levou Carmelita Moreira?
- Sou eu - informou a outra."
A defunta vai muito bem.
Delas
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Memória
Mar de histórias


terça-feira, 11 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Mais sobre Antropologia


Print version ISSN 0034-7701
Rev. Antropol. vol.45 no.1 São Paulo 2002
A "falta" de objetividade, contudo, não seria a novidade analítica e/ou metodológica que traz o seu trabalho. Esta reside sobretudo na forma pela qual conduziu a pesquisa. Com efeito, recusa-se a tratar seus informantes e a si mesmo através dos procedimentos que questiona. Assim, por valorizar o fato que a pesquisa antropológica é feita por indivíduos com interesses, condicionamentos, estatutos e visões de mundo específicos, oferece a seus entrevistados um modo de presença na pesquisa que equivale em grande medida àquele que propõe para si próprio. E o meio que encontra para fazer isto é através, em primeiro lugar, de uma antropologia feita na primeira pessoa. A sua experiência organiza as questões que coloca de forma explícita para os outros bem como para os seus leitores. Em segundo, pela valorização de uma perspectiva dialógica na relação que estabelece com os antropólogos e com os religiosos, seus "informantes". Na relação com ambos pede menos informações do que pontos de vista. Busca uma troca de experiências tanto com antropólogos que deste lugar comum fizeram como ele "trabalho de campo" junto a religiosos, quanto com religiosos que foram objeto de pesquisas como a sua. O fio que une as duas pontas é aquele dado pela dupla condição vivida pelo autor: ele próprio começou seus estudos de antropologia na condição de iniciado no candomblé. Em nome de sua dupla experiência e da instabilidade relativa de suas identidades num campo e no outro pôde ir em busca da colaboração de uns e de outros para tematizar e discutir as diferentes questões que os tem envolvido nas múltiplas situações de pesquisa.
O propósito do autor, portanto, é de elaborar um ponto de vista como um efeito de um encontro com seus colegas e pesquisados. Cria assim um lugar importante no seu trabalho para os depoimentos de seus colegas a respeito destas questões partilhadas. Em vez de proceder atribuindo aos antropólogos entrevistados a condição de "pesquisados" no sentido de "objetivados" pelo seu discurso etnográfico, o que propõe a estes é uma discussão em que a experiência que tiveram dos mesmos problemas venha à tona e se integre a um conjunto de relatos que se relacionam tematicamente e se reforçam mutuamente. Constrói assim um mosaico onde a fala de uns e de outros se sucede, juntando elementos distintos provenientes das experiências singulares de todos. O mesmo tratamento é concedido aos tradicionais pesquisados, isto é, os pais, mães e filhos de santo das casas de candomblé em São Paulo. Eles relatam da mesma maneira as dificuldades por que passaram com "seus" pesquisadores, e também o que nestas interlocuções lhes chamou atenção.
O autor argumenta (citando inúmeras vezes a literatura antropológica bem como os relatos e testemunhos de colegas e companheiros de percurso religioso) o quanto as formas de objetivação são "contaminadas" pelas mais variadas circunstâncias: expectativas, conhecimentos, redes de pertencimento, intenções, exigências, estatutos sociais, projetos políticos, ideológicos dos antropólogos e também dos seus pesquisados. Os depoimentos se misturam, se entrelaçam sem que sejam ordenados segundo uma clivagem que separe com rigor excessivo os homens da ciência daqueles da religião. Até mesmo porque entre seus entrevistados alguns partilham da posição entre os dois lugares que um dia foi a sua.
Como dissemos, a preocupação de Vagner Gonçalves ao questionar a objetividade do pesquisador sobre a relação destes com seus pesquisados deve-se, em parte, às condições em que se deu o seu próprio trabalho acadêmico e, portanto, às dificuldades que ele mesmo enfrentou. Toma como referência no livro, assim, a dupla experiência que o forjou como pesquisador: membro de uma casa de candomblé e mestrando/doutorando, isto é, aprendiz de antropólogo.
A múltipla iniciação vivida quando pesquisava as religiões afro-brasileiras em São Paulo transformou-se pois num projeto científico que veio em seguida desenvolver. Grande parte das perguntas que atravessa o livro decorre da sua posição: de que forma a elaboração do conhecimento pela ciência difere daquela realizada nas casas religiosas? Como é possível colocar estes conhecimentos em relação? Como seus autores, a partir de interesses distintos, obedecendo a princípios cognitivos e morais diversos, terminam por negociar suas diferenças e estabelecer mecanismos de troca que redundam nisto que designamos como "etnografias"? Como também os religiosos transformam o conhecimento produzido na "academia" num saber "ancestral" ou vice-versa? De que modo uns e outros se influenciam, se adaptam e se antagonizam no curso destas experiências compartilhadas? Quais os compromissos éticos do antropólogo diante do segredo religioso, dos conflitos de posições, das divergências aparentemente inegociáveis?
Visando, em última análise, um aprimoramento do conhecimento antropológico, Vagner Gonçalves pretende explicitar a construção dessa "magia" do antropólogo e as peculiariedades desta como um estranho operador de feitiços que faz desaparecer do campo do visível todas as relações que estabelece "no campo" e fora dele. O livro insiste que estes "atos mágicos" escondem o pesquisador como um indivíduo que cria laços de proximidade, que influencia seus informantes, que modifica o equilíbrio dos poderes locais e que pode legitimar ou deslegitimar as regras e os valores vigentes no grupo que estuda. Enfatiza também o quanto a apropriação do trabalho do antropólogo e o diálogo com este se faz presente nos grupos estudados e se integra portanto a dinâmicas sociais que escapam de seu controle.
O que é, contudo, este conhecimento, sobre o qual todos os interlocutores desse livro se debruçam e buscam discutir as condições de sua produção? Esta questão aparentemente simples nos convida a debater com o autor alguns problemas da produção antropológica como, por exemplo, o estatuto que ele atribui à noção de religião. Com efeito, Vagner Gonçalves parece hesitar entre uma perspectiva em que conhecer significa compreender, segundo a perspectiva de Geertz, ou uma outra em que essa mesma noção é empregada no sentido mais relativista de gerar uma interpretação a partir de um ponto de vista específico – sobretudo quando dá lugar às varias versões sobre os encontros entre pesquisadores e pesquisados. Estas duas posições teóricas são, no entanto, abandonadas em certos momentos a favor de uma terceira, aquela tributária de uma ciênca positiva em que conhecer quer dizer estabelecer conceitos com validade universal. A antropologia como ciência, neste livro, vai integrar a crítica pós-moderna da falta de objetividade da ciência como "percalços" ou "armadilhas" a que todos estão sujeitos e que talvez possam ser evitados com o uso de modelos de investigação mais respeitosos do saber nativo. Nesta perspectiva, a incorporação tanto do autor quanto das relações de pesquisa como parte da construção do objeto antropológico é mais restrita: diz respeito a uma operação metodológica que não afeta a natureza do conhecimento produzido ( a não ser como "falta"). No transcorrer do livro algumas "faltas" de objetividade apontadas são facilmente assimiladas ao repertório já conhecido da disciplina como críticas relativas a um controle insuficiente do antropólogo na coleta dos seus dados. Permite assim que o leitor conclua que se estes dados tivessem sido bem levantados o resultado teria sido certamente um conhecimento mais objetivamente científico e neutro.
A oscilação que apresenta na compreensão do trabalho do antropólogo resulta certamente de uma perspectiva mais universalizante da disciplina enquanto ciência e de uma crítica implícita a um relativismo a qualquer preço. Mas parece decorrer também de um certo ajuste entre o que seria uma "ciência" da religião e a noção de religião como uma disciplina análoga à "ciência", isto é, como um domínio constituído como produtor de conhecimento. Se "religião" significar um conjunto de saberes relativos ao mundo invisível, o conhecimento a ser produzido pelo antropólogo de certo modo coincide com aquele dos religiosos – ambos teriam, digamos, o mesmo "objeto", o mundo sobrenatural e as formas dos homens se relacionarem com ele. Os antropólogos teriam como objetivo primordial "conhecer" esta modalidade específica de "conhecimento" e as práticas relacionadas a este.
Não há dúvidas de que esta interpretação da religião é uma entre muitas que circulam no mundo acadêmico e religioso. No entanto, creio que deva ser relativizada. As práticas relacionadas à "religião", como em muitos momentos o autor nos indica, atribuem sentidos a ações humanas não necessariamente circunscritas ao domínio religioso. Podem concernir a todas as esferas da vida social como, por exemplo, aos jogos de poder e de interesses, aos valores sociais e morais, aos estilos de vida e às identidades étnicas e nacionais etc. Como bem demonstrou Talal Asad, quando critica o conceito de religião empregado por Geertz, a "religião" pode ser tratada como um "objeto" desde que não se ignore como os grupos sociais em causa a concebem e o que praticam sob essa designação. Nem sempre diz respeito a um domínio bem estabelecido na sociedade e nem sempre oferece respostas a problemas considerados universais. Afinal, nem sempre a "magia" fala da relação com os deuses, como nem sempre seu sentido provém da anomia social. Pode estar nos dizendo coisas fundamentais sobre a economia, sobre o parentesco, sobre a violência e as relações de poder das quais pesquisados e pesquisadores participam na sociedade paulista, entre várias outras possibilidades.
A leitura deste livro nos abre muitas vias para compreender as complexas relações que os antropólogos e seus pesquisados vêm desenvolvendo no campo "afro-brasileiro" e também sobre os limites dos procedimentos "tradicionais" da antropologia. Ao enfocar sua análise nos procedimentos mágicos o autor deixa entrever o que nos resta de inconcluso e de problemático na antropologia (a começar pelos seus contornos) nestes tempos que aboliram os antigos paradigmas disciplinares sem nos livrar de todos os desafios implicados na prática de uma antropologia com ética e feita com seriedade.
Clara Vidência

Olhos d'água

Emília II ou Pir Lim Pim Pim

Dos lugares mais previsíveis
A roupa sem arte e grife
O corpo cansado
A mente em sono
Mas o pensamento nele.
O corpo preso na outra alma.
Lembranças de mágica
Numa tv preto e branco
O jardim sem flores
Mas o anseio de muitos sonhos.
A alma no corpo dele.
Feitio de brincadeira
Uma viagem de barco
Final de tarde ensolarada.
Um pouco de música
Odara do Caetano
E os olhos na cena dele.
Por hoje seria a mágica de Emília
Na órbita sagrada da infância,
Mais que esperança:
Pir Lim Pim Pim.
sábado, 8 de maio de 2010
Legião Urbana e Clarice Lispector dão os rumos para a reflexão

A música e a literatura têm sido o suporte para as aulas de filosofia e sociologia no Colégio Estadual Mário Augusto Teixeira de Freitas, localizado em Nazaré. A ideia de utilizar estes recursos foi do professor, jornalista e antropólogo, Marlon Marcos, que ministra as duas disciplinas.
“Eu tenho usado músicas de Legião Urbana e Cazuza para associar ao pensamento de filósofos. Outro dia uma aluna me deixou super feliz com uma reflexão sobre o tempo a partir da música Pais e Filhos, da banda Legião Urbana”, relata o professor.
A aluna citada por Marlon Marcos é Êmile de Almeida,14 anos, da turma C do 1º ano.
“Numa sociedade em que os indivíduos são julgados pelo exterior fiquei pensando numa parte da letra que fala sobre a brevidade que temos para viver e, portanto, de como precisamos nos preocupar com coisas mais importantes”, explica a aluna.
Ponte Em sociologia, o professor tem usado textos de Clarice Lispector para debater temas como luta de classe, ação e fato social, dentre outros que são básicos na disciplina. O esforço criativo de Marlon Marcos já mostra resultados.
“Eu passei a ler também outras coisas de Clarice Lispector.
Sociologia é uma disciplina que está me ajudando até a escolher melhor em quem eu vou votar”, diz Amanda Xavier 18 anos, da turma E do 1º ano.
Aluno da mesma turma, Ígor Jambeiro, 15 anos, está reencontrando sociologia.
“Tive contato quando estudei em escola particular. Eu gosto”.
O que anima Patrick Coelho, 16 anos, é a discussão de questões sociais. “Dá para entender mais”, acrescenta.
Fonte: Jornal A TARDE de 03 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Da África em todos nós
Seminário internacional sobre Jorge Amado

A Companhia das Letras e o Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) da UFBA têm o prazer de convidá-lo para o Seminário Internacional sobre Jorge Amado, conforme programação anexa sujeita à confirmação.
O Projeto Jorge Amado na Companhia das Letras promoveu, em 2009, Workshops de formação e capacitação de professores, sobre a vida e obra de Jorge Amado. Congregamos professores da rede pública em nove cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Espírito Santo, Goiânia, Brasília, Salvador e Fortaleza. Agora em 2010, realizaremos, dentro do mesmo projeto, seis concursos culturais para alunos, além de dois seminários internacionais.
O Seminário Internacional sobre Jorge Amado, que tem curadoria da professora titular da USP Lilia Schwarcz e da professora Ilana Goldstein, ocorrerá na Universidade Federal da Bahia (nos dias 27 e 28 de maio).
Este é um evento incentivado pelo Ministério da Cultura, uma vez aceitando nosso convite, estarão cobertos todos os custos com transporte, alimentação e hospedagem.
SEMINÁRIO ACADÊMICO INTERNACIONAL JORGE AMADO
Curadoria: Lilia Moritz Schwarcz e Ilana Seltzer Goldstein
Coordenação - Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) da UFBA: Paula Cristina Barreto e Jocélio Teles Santos
PROGRAMAÇÃO SAVADOR
Local: UFBA (27 e 28 de maio)
1o dia
10h-12h
Mesa-redonda 1: “Jorge Amado e seu Brasil”
Affonso Romano de Sant’anna (Escritor) e Alberto da Costa e Silva (ABL)
Mediação: Miriam Fraga (Fundação Casa de Jorge Amado)
14h-16h
Mesa-redonda 2: “Mestiçagens na obra de Jorge Amado”
Ana Rosa Ramos (UFBA) e Ilana Seltzer Goldstein (Unicamp)
Mediação: Lilia Moritz Schwarcz (USP)
16h30-18h
Mesa-redonda 3: “Uma cultura afro-baiana”
Antonio Marcos Pereira (UFBA) e Ordep Trindade-Serra (UFBA)
Mediação: Jocélio Teles Santos(UFBA)
2o dia
10h-12h
Mesa-redonda 4: “Questões de gênero em Jorge Amado”
Júlio Assis Simões (USP) e Laura Moutinho (USP), Ilana Strozenberg (UFRJ) e Jean-Yves Merian (Université Rennes)
Mediação: Heloisa Buarque de Almeida (USP)
14h- 15h30
Mesa-redonda 5: “Literatura e política”
Daniel Aarão Reis (UFF), Luís Gustavo Rossi (Unicamp)
Mediação: Marcos Aurélio de Souza (UFBA)
16h-17h30
Mesa-redonda 6: “Uma literatura amadiana”
José Eduardo Agualusa (escritor) e Moacir Scliar (escritor)
Mediação: Flavio Moura (USP e FLIP)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Jussara Silveira

Nesses dias de poesia marítima em que a alma é do tamanho da arte: Jussara Silveira! Meu blog é de gente, sim! louvações a humanos... E hoje o meu sobrehumano é delicadeza musical. A saudade do cantar que me espalha por todas as águas, refresca a vida, me põe à beira-mar. Meus olhos seguindo o horizonte à espera de uma presença, na ânsia de uma chegada... Não vivo assim. Jussara canta como trilha para soluções. Que artista! Que mulher linda!
Preciso de serenidade. Ter saúde nas tardinhas com amigos e sonhar na música Jussara e no poema Karina e ... Alcançar o sossego da pedra próxima do mar.