sábado, 6 de novembro de 2010

Sentar na pedra do mar

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

Uma certa agonia me espalhando por mil pensamentos e um único sentimento: vontade de encontrar. Ainda que singrando a melodia dos sábados, o espaçamento é o das vãs esperas e tudo marulha e afoga e traz confusão... O corpo numa caminhada de desistência clama por minha porção animal e me vejo no mar sem solidão me sendo golfinho... Me vejo sereio ansiando sentar-se na pedra do mar. E naquela esfera líquida, modifico a lógica do ser nadando com um livro nas mãos; meu contra-senso, minha encenação de dono do mundo, ou ao menos, filho da dona do mundo marinho.
Sábado tem a alegria do Cinema. E assisto aqueles olhos-fotografia que quero perto de mim. E faço poema sem métrica sem forma só conteúdo: minhas anotações amorosas, memórias das entregas que são minha razão de viver.
Reitero: tenho apego pelo tema saudade, esta palavra escrita em meu celular e assim, solidifico, por alguns instantes, a presença etérea de alguém constante em cenas da minha emoção.
Eu - água do mar a lamber a pedra que me serve de descanso.

Um comentário:

Carlos Barros disse...

Saudade

Chico César/Moska

Saudade a lua brilha na lagoa
Saudade a luz que sobra da pessoa
Saudade igual farol engana o mar
Imita o sol
Saudade sal e dor que o vento traz

Saudade o som do tempo que ressoa
Saudade o céu cinzento a garôa
Saudade desigual
Nunca termina no final
Saudade eterno filme em cartaz

A casa da saudade é o vazio
O acaso da saudade fogo frio
Quem foge da saudade
Preso por um fio
Se afoga em outras águas
Mas do mesmo rio.

Seu texto é um poema!