quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ao som do Alujá




Nos dias 28 e 29 de junho, dentre duas das mais tradicionais casas de Candomblé da Bahia, a Casa Branca – Ilê Axé Iyá Nassô Oká, e o Ilê Axé Opô Afonjá, abre-se o ciclo de festas dedicado ao mais destacado Orixá desta religiosidade, o grande Xangô, Senhor dos trovões e da justiça, aquele que nunca morreu.
De acordo aos principais antropólogos das religiões afro-brasileiras, foi através do culto a Xangô, nas casas que seguem o chamado modelo Jeje-Nagô, que o Candomblé se construiu como religião conventual, estruturada através de um templo, composto de vários compartimentos rituais, onde o mais conhecido chama-se Barracão, e é o local onde se realiza as festas públicas nos terreiros. Este local serve como instrumento de reunião de fiés em torno do culto, e foi fundamental para a existência e resistência desta instituição.
Estas festas na Casa Branca e no Afonjá, duas casas irmanadas pela ancestralidade, ocorrem todos os anos nos dias 28 e 29 de junho, impreterivelmente, no calendário católico são dias dedicados a São Pedro, que fora sincretizado a Airá , uma das qualidades de Xangô, que só se veste de branco. No dia 28, acontece a grande fogueira, onde o símbolo vital do deus iorubá, mítico rei da antiga cidade de Oyó, o Fogo, é adorado e reverenciado como elemento de transformação e de representação da presença viva de Xangô entre os seus crentes. No dia 29, os Orixás dançam em suas roupas de gala, e promovem um espetáculo de beleza sem par, usando coreografias míticas que narram a história da espiritualidade negro-africana reatualizada e, até mesmo, reinventada no Brasil.
A importância desta festividade repousa na historicidade da cultura religiosa africana sendo recriada na Bahia, na primeira metade do século XIX, na freguesia da Barroquinha, quando se têm notícias da criação do primeiro terreiro urbano do Brasil, que depois se transferiria para a Vasco da Gama, e ficaria conhecido como Terreiro do Engenho Velho, ou da Casa Branca. O Candomblé de Ketu, o de tradição jeje e iorubá, é fruto da intervenção religiosa da figura mítica da Iyá Nassô, sacerdotisa suprema do Culto a Xangô, que acabou por materializar a supremacia deste Orixá na elaboração litúrgica de toda comunidade espiritual.
Para se perceber visualmente a complexidade dos ritos do Candomblé, tomando ciência da corporeidade e dos construtos estético-religiosos de origem africana, ir a essas Casas movidos por respeito e vontade de aprender, pode servir como um belo antídoto contra a nossa ignorância sobre uma religião que se confunde com a idéia que nós mesmos ratificamos de Bahia.
Xangô traz em si a sabedoria, o dom da escrita,a prática da Justiça. Transmite sua ira através do fogo que brada dos seus trovões e ainda, serve de guardião dos princípios sociais, tão esquecidos por antigos e novos governadores deste místico Estado, tão carente dos exemplos míticos do deus das machadinhas que dança cortando o espaço ao som do Alujá.
(Publicado no Opinião do A Tarde em 28.06.2007)

3 comentários:

lilian biolchini disse...

´Bom dia!Gostaria de saber se vc tem conhecimento de uma qualidade de Iemanjá alujá? Ja procurei em alguns lugares e as pessoas me relatam que não a conhecem!Sei que esta senhora come na gamela,que e a mãe de xangó,so usa branco e traz um xere nas costas!Aguardo um retorno seu se puder me ajudar desde ja agradeço!Email lilianbiolchini@hotmail.com
axé Lilian

Darlla disse...

também gostaria se possivel. POis Já fui em 4 babas e me falaram sempre q minha iemanjá é Alujá OU Yalojá ... gostaria muito se saber sobre a historia dela! por favor me mande Darlla.nuness@gmail.com

Marcio Gaio disse...

Se puder me responder sobre.
Também agradeço.
magaio2010@hotmail.com